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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Milho que já foi rei

É cada cada mais reduzido o espaço para a cultura do milho, em Alpendorada, contrariamente aos tempos em que este cereal enchia as arcas de várias quintas. A broa de milho ainda se mantém nos hábitos alimentares, mas já não é feita com a farinha proveniente dos moinhos do Granjão, Vale do Covo e outros subaquáticos. Também os fornos caseiros, que laboravam semanalmente, com a ajuda do "crescente" religiosamente embrulhado numa malga, testemunho de gerações, só abrem portas, esporadicamente para uns assados.


Campo de milho numa quinta situada no lugar do Memorial. (2005)
Espigas, depois de uns banhos de sol durante aguns dias, prontas para serem malhadas.


A arca do milho e a rasa.



Para quem ainda se lembra, este era o momento que antecedia a introdução das broas no forno. Enquanto se aguardava que o forno perdesse um pouco de temperatura, colocavam-se uns bolos baixinhos, com uns bocaditos de toucinho de porco. Com a carne derretida, aí estava um pitéu! Outro bolo, como mostra a imagem, não levava carne. Tinha, sim, pó de canela espalhado no interior. Também era saboroso e, claro, mais saudável.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Carnaval ecológico

Carnaval também é cor no vale da infância de muitas crianças que outrora se deliciavam a amealhar fragmentos de serpentinas - aquelas "sarpentinas" - pela estrada fora. Depois, num trabalho de paciência e criatividade, enrolavam-se os diversos fragmentos, até não se poder mais, numa composição de cores que definia a sensibilidade de cada um. A saliva era a cola que ia ligando as diferentes cores num círculo que, pressionado no centro, com muito cuidado para não se desfazer uma obra de horas, fazia lembrar um chapéu mexicano.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Janeiras II







"Janeiras" em Canelas e no encontro de Janeiras no Marco de Canaveses.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cantar os Reis de " Cramalheira"

Não sei se ainda se mantém a tradição de Cantar as Janeiras e Cantar os Reis. Lembro-me sim de grupos de ocasião, mais ou menos organizados, percorrerem diferentes lugares da freguesia, com cantigas para encher o saco e o papo. Eram constituídos, essencialmente, por rapazes novos, e cada grupo tentava, alguns dias antes, "contratar" um músico-guia que os orientasse, acompanhado geralmente pela concertina. Entre as cantilenas e as batidelas de dentes (um instrumento semelhante ao reco-reco!), lá se iam abrindo umas portas que ofereciam umas rabanadas, bolinhos de gerimú, aletria, um salpicãozito e também uns troquitos, no final, repartidos por todos. Para além da voz, uma vezes afinada e outras nem por isso, cada elemento do grupo fazia questão de tocar um instrumento, para melhor justificar o pagamento final. Eram os ferrinhos, feitos de véspera, com um pedaço de verguinha, o bombo, o acordeão, a concertina, a pandeireta e até a "cramelheira". Recordo-me de utilizar, como último recurso, não tinha mais nada, uma roda dentada de motorizada suspensa por um nagalho e percutida por uma qualquer ponta de ferro. O som produzido lembrava o som dos ferrinhos, embora mais refinado e contínuo.
Não sei se ainda se mantém a tradição na espontaneidade de cantar as Janeiras e os Reis...

sábado, 26 de julho de 2008

Do vinho


Quinta do Memorial - Por aqui ainda resiste a casta do verdelho com pouquíssimas videiras.

A vindima e a dor de pescoço.

O verde já muito madurinho à espera do lagar.

Lagar tradicional - Memorial. A malga que reluz no granito serve para depositar um bago de uva por cada gigo e também para provar o vinho.

Até se ver bem a grainha!

O branco vai mesmo de bica aberta que o digam a dorna e o crivo.

Bem espremidinho o"pé" para dar mais força à pinga.

Senhores pés : o do vinho e dos pisadores.

Cá está a pinga: somente o sumo da uva.

Agora vai descansar no pipo. E depois papo...

Mel tradicional

Doces memórias
Extracção do mel de cortiços e colmeias - Memorial ( Foto: 2000)

Expulsão das abelhas das alsas das colmeias com um "borrifador" de fumo e uma escova.

É necessário que o apicultor esteja totalmente protegido contra os ataques das abelhas.

Depois de extraídas as alsas da colmeia com a ausência forçada das abelhas, retira-se, com uma faca, a película de cera que tapa os favos de mel.
Extraída a cera, colocam-se as alsas numa centrifugadora para que mel seja libertado.

Finalmente, abre-se a torneira da "máquina" centrifugadora e escorre a doçura do trabalho das abelhas e do homem.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Poço

Joaquim Vieira da Costa,(falecido em 2003), na prospecção de um veio de água, através do processo de radiestesia, utilizando uma vara de videira. ( foto: década de 90)


Depois de marcado o local onde o veio era mais forte, ou onde existia o cruzamento de veios, era iniciada a abertura do poço. ( foto: década de 90)

Com mais de um metro de fundo, era necesário instalar o sarilho, para mais fácil remoção do entulho. ( foto: década de 90)
Teria de haver uma perfeita sintonia entre os que trabalhavam no fundo do poço e os que retiravam o entulho. Estes laboravam sobre uma plataforma de madeira que cobria cerca de um terço da abertura do poço. Faziam rodar o sarilho pelas "pombas"até que o zorro atingisse o estrado. Depois, um só trabalhador, com uma mão puxava o zorro para a plataforma, largando com a outra a pomba que suportava o zorro no ar. Teria de haver uma sincronia de movimentos, para que o zorro não caísse ao poço e pusesse em perigo quem estava no fundo. Enquanto se fazia esta manobra sempre perigosa, o trabalhador do fundo do poço escostava à parede do lado do estrado, com uma pá ou picareta no ar para assim melhor se proteger. ( foto: Cecília Endres, década de 90)

Zorro- caixa de madeira utilizada para extrair o entulho do fundo do poço. Poderia apresentar um reforço de arame nos locais onde encaixavam dois ganchos de ferro.

Zoro em latão utilizado na fase em que o poço já "dava água". Desta forma, retirava-se mais lama do que com o zorro de madeira que absorvia a água, tornando-se muito pesado. Além disso, com o "latão", o trabalhador do fundo não era tão sacrificado com a água que escorria do zorro. A tábua de madeira que se vê na fotografia servia de rampa, onde o latão poderia deslizar melhor, ao ser vertido o entulho para longe da abertura do poço.
( foto: Cecília Endres, década de 90)

Como se trata de uma zona granítica, a determinada profundidade era necessário dinamitar o poço, mesmo com a água a incomodar os trabalhos. Abriam-se os furos manualmente, com uma broca e depois colocavam-se as velas de dinamite, os fulminantes e o rastilho. Este deveria ter o cumprimento suficientes para que o trabalhador o incendiasse e tivesse tempo de ser puxado, com segurança. A foto mostra esta última fase, com o rastilho já a arder. ( foto: década de 90)