sábado, 21 de março de 2009

Dia da Árvore e Dia Mundial da Poesia


De todas as árvores que nos vão acompanhando, há uma que, por si só, me situa na terra de Alpendorada: aquele enorme sobreiro que parecia oferecer sombra por todo o caminho até à Cachorrela. Obrigava-me a olhar para as estrelas, onde os machados não têm gume.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Confraria do Granito

Cerimónia da escritura pública de constituição da Confraria do Granito, realizada no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Alpendorada e Matos, em 3 de Janeiro de 2009.
Como padrinhos, estiveram presentes a Confraria da Pedra, Madalena, V.N.Gaia, e a Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno, Marco de Canaveses.
Será importante que esta nova Confraria, criada em Alpendorada, ajude a estabelecer uma harmonia entre o "granito" do passado, o do presente e o do futuro, para que se preserve o que ainda resta de um testemunho patrimonial.






Com a presença do filho, lembrou-se o pedreiro-artista, Manuel Vieira Antunes, recentemente hospitalizado.

Tradição dos sabores

Farrapada ou Roupa velha.

Sopa seca.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

caminhos a preservar



Um povo é tanto mais culto quanto mais respeita o seu passado
Aproveitei o primeiro dia de 2009 para revisitar um dos locais que mais me fascina em Alpendorada - Fontelas. Com muito prazer, ouvi o sr. António, "O Barqueiro de Fontelas", e a sua esposa falar das "coisas antigas da nossa terra". Serão os guardiões de um troço de caminho romano que circunda a sua casa, como de um tesouro se tratasse, porque o é. E a propósito, lembraram-me o adágio que corre por esses lugares, junto ao Douro "Entre Couto, Souselo e Fontela, há o tesouro de Maria Madalena". Parte dessa via romana terá desaparecido com a construção de uma nova estrada, e outros troços estão religiosamente guardados pelo mato e silvas, até que uma carta arqueológica municipal o assinale devidamente.
Ficou a vontade de lá voltar, com mais tempo e mais luz.

Por agora, retive a histório do Piloto, um cão tão obediente que, no início do século XX, foi buscar, à ordem do dono (descendente desta casa de Fontelas), o seu casaco esquecido no cemitério, distante alguns quilómetros. Então, as fidalgas da Botica testemunharam esse feito, ao ver o animal pegar no casaco e transportá-lo. Logo, logo desejaram o cão, por "qualquer" preço. Com muito custo, o dono ofereceu-lhes o cão, com a condição de ele lá ficar. Prenderam-no, então, na Casa da Botica, mas o bicho "chorava" constantemente. Libertaram-lhe a corrente. E o cão, como que a disfarçar, rondou a casa alegremente, durante umas horas. Depois, virou costas a elas e regressou a Fontelas...
Sr. António da Silva Antunes ( 74 anos) - O Barqueiro de Fontelas.
Do lado de Souselo, junto ao rio, ainda é perfeitamente visível a continuação da via romana.



Fontelas. Caminho romano, com o rio ao fundo.

Inscrição feita pelo sr. António a assinalar o local da cheia de 1962, em Fontelas. No local da inscrição existia uma chapa com a data da cheia.

O turismo também vive do património, por isso há que preservá-lo.


Fontelas. O caminho de encontro ao mato e às silvas.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Alpendorada na Exposição " Flora de Brincadeiras" , em Vila Pouca de Aguiar


" Flora de Brincadeiras" é um espanto

O autor chama-se João Pinto Vieira da Costa. Nasceu em 1960, [ em Alpendorada, no concelho de Marco de Canaveses]. É licenciado em Línguas e Literaturas Mo­dernas (Estudos Portugueses), pela Universidade do Porto e é professor, em Vila Real. Tam­bém é poeta, contista e cronis­ta. Já publicou "Contos de Ro­dapé", "Alpendurada e Matos, Península de História" e "Ga­tafunhos, Contos e Crónicas". Mais recentemente, escreveu "Flora de Brincadeiras", docu­mentando pela escrita aquilo que, de forma surpreendente, faz: brinquedos inesperados que nos fazem regressar à época em que eles, os brinque­dos, eram criados a partir de objectos do quotidiano, pelas crianças que não tinham à sua disposição a panóplia de lojas que hoje há, para comprar já feito e gastar dinheiro em pe­ças menos pedagógicas e di­dácticas que acabam por can­sar, ao fim de pouco tempo.Mas os brinquedos que João Pinto Vieira da Costa constrói são eternos. Quando não ha­via legas nem consolas, nem sequer a "Chicco" nem a "Toys 'r Us" ou. a "Centroxogo", mui­to menos as grandes superfí­cies comerciais que deliciam os olhos das crianças e dão cabo das carteiras dos papás, as crianças brincavam muito mais, de forma mais divertida, por improvisada e criativa. Os seus brinquedos eram feitos do que havia: uma casca de noz, um vime, uma rolha de cortiça, uma carica, o cano­co de um milheiro, uma raiz, a vareta de um guarda-chuva desfeito pelo vento, uma pi­nha, um botão velho, um pe­daço de arame, um arco de pipa velha abandonada, um ramo de árvore em Y, até uma meia em desuso que era cheia de palha e cosida na ponta, fazendo uma bola com que se jogava futebol.Não admira que essas prá­ticas (como a generalidade dos jogos populares) tivessem desaparecido, no avançar dos tempos em que o consumo cresceu e tomou conta de nós, através de cada vez mais atra­entes e agressivas campanhas de "marketing" e de publicida­de. O que admira é que, nos tempos de hoje, haja quem te­nha a arte e o engenho de criar novos brinquedos a partir de pedaços de madeira, de restos de plantas, de fios e arames ve­lhos, de folhas, de ramos e fru­tos secos, tudo material que já foi e que revive, espantosa­mente, por um simples gesto manual que os transforma em objectos que dá prazer ver e, muito mais, tocar na ponta dos dedos.Uma colecção de objectos desses está exposta na sala po­livalente da Biblioteca Muni­cipal de Vila Pouca de Aguiar. No chão, em mesas e nas pa­redes.Razão teve o inesquecível António Cabral que destas coisas percebia como pou­cos, ao referir, no prefácio do livro "Flora de Brincadeiras", iniciando-o, que "O regresso à Natureza começa a ter-se como um regresso ao Para­íso. Felizmente, digo, com a certeza de que quanto mais o homem se afasta do seu meio natural menos possibilidades tem de se encontrar a si pró­prio, como alguns pós-mo­dernistas já perceberam, de­siludidos com o optimismo da civilização industrial, embora também eles, avessos a siste­mas doutrinais, tenham caído num certo desnorte, vivendo a errância intelectual, numa or­fandade de valores, alguns dos quais foram, porventura, fácil e impensavelmente configura­dos. Que o regresso à Nature­za não seja apenas uma fuga, mas uma necessidade, como as crianças nos ensinam, se lhes dermos condições para isso".E a verdade é que, reconhe­cidamente, "a necessidade faz o engenho". Foi por essa ne­cessidade que já se brincou com aquilo que, de forma gra­tuita e fantástica, a Natureza nos dá. E que João Pinto Vieira da Costa nos faz (re)descobrir, de maneira tão bela como des­concertante.Esta exposição é um espan­to. Não perca a oportunidade de ir lá vê-la, até ao final do ano.


Agostinho Chaves, in Mensagens Aguiarenses, 9/12/2008

Tenacidade


O granito e a tenacidade desportiva.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Anos Noventa - Cortejo e leilão - Igreja de Matos


























Flora de Alpendorada II

Fumaria officinalis

Rumex indaturus


Narcisus triandus ( campainhas)


Digitalis purpurea ( Dedaleira)

Genista scorpius (maias)

Hedera helix

Salix sp (Vime)

Salix alba ( Salgueiro)

Mimosa pudica L.